O Cristo da Barra


Há quem se engane ao dizer que o Cristo da barra foi um clone do Rio de Janeiro, sem saber que nosso Cristo é mais antigo. ( Revista Geográfica Universal, agosto de 1920). Tão antigo que junto com a falta de registro das entidades de preservação de monumentos históricos e bibliotecas, a estátua se corroi junto com sua história. Os escultores da história do Cristo como o neto do escultor Pasquale De Chirico, Bartolo Sarnelli, e a guia de turismo, atual pesquisadora de monumentos Celita Nogueira dão a reparação e retoques necessários para que monumentos como este não sejam esquecidos.

Sarnelli coleta informações sobre todas as obras do avô e Nogueira sobre todos os monumentos de Salvador: “Eu sofri pelas bibliotecas, museus e fundações, por causa da carência de informações e inexistência de registros. Eu, como muita gente sabe, estou fazendo um trabalho sobre o Pasquale De Chirico, mais por interesse pessoal do que, digamos, profissional. Consegui reunir um certo volume e catalogar as principais obras deles, boa parte não exposta em via pública, mas ainda estou perseguindo o meu objetivo. Nós éramos muito ligados. Andava muito com ele. Então eu ouvia muita coisa e nesse ouvir coisa de criança que escuta, mas parece que o vento tá levando foi que eu baseei todo o trabalho que eu já fiz a respeito dele”, diz Bartolo Sarnelli,76.

Já a guia de turismo iniciou sua coleta de informações sobre monumentos a partir de uma dúvida: “Eu estava no ônibus quando alguém me perguntou: que monumento é este? Apontando para o largo da Mariquita. Eu não sei, mas lhe prometo que se um dia lhe encontrar eu falo, respondi. Tinha me formado como guia de turismo e a partir disso, tive a idéia de pesquisar sobre os monumentos. Tem dois anos que venho pesquisando. Pesquiso o homenageado, o autor, a simbologia e o material pra não ter problema”, diz Celita Nogueira.

O Cristo da Barra foi esculpido pelo italiano Pasquale de Chirico (Jornal a Tarde: “O passado esculpido por De Chirico” por Mary Weinstein) em Gênova e trazido para a Bahia a pedido do desembargador judeu convertido ao catolicismo José Botelho Benjamin que fez a doação para presentear a cidade, sendo, portanto propriedade da prefeitura municipal de Salvador de acordo com a Fundação Gregório de Matos (EMTURSA).

Lendas que denominavam o doador um cristão autônomo que teria feito uma promessa, cai por terra com o registro do desembargador. A estátua é uma modificação do quadro a óleo que existe no tribunal superior de justiça, feito por Dulce Benjamim Tourinho. O monumento foi trazido pelo navio Cervino e inaugurada em 24 de dezembro de 1920, de forma solene, com discursos do padre Luiz Gonzaga Cabral, orador sacro da época, na gestão do governador da época J.J Ceabra. Feita em mármore de Carrara com a altura de 7m total e 2,80m a figura do Cristo, a estátua esta firme sobre um pedestal de concreto armado, revestido de placas de mármore escuro.

Mas nem sempre o cristo esteve no morro do Ipiranga, Avenida Oceânica, antiga Avenida Getúlio Vargas. A estátua foi primeiramente imposta no Monte de Jesus, morro da atual prefeitura da Aeronáutica, Ondina e só em 1967 foi transferida. (Texto: Pasquale, o Escutor, por Ubaldo Marques Porto Filho). A retirada da estátua do local se deve a uns detonamentos da pedreira na base do morro, que ao explodir as dinamites, encurtava o local, colocando em perigo a segurança do Cristo. Quando houve a modificação foi possível ver a assinatura do autor, que foi fotografado pela Fundação Gregório de Matos.

O escultor
Oriundo de uma família repleta de artistas, Pasquale não demorou muito para descobrir seu dom. Aos poucos foi desenvolvendo, o qual dominou a arte da Bahia durante muito tempo, precisamente na primeira metade do século XX. Monumentos de sua autoria estão espalhados em toda a cidade como a estatua de Castro Alves, Thomé de Souza, Dom Pedro II, dentre muitas outras obras que através de seus traços únicos, ficariam marcadas e lembradas pelos seus seguidores e admiradores.

Fonte.soteropolitanosdaorla.wordpress.com
Fotos Jozinaldo

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